10 dezembro 2006

You are everywhere!!!!

Your face keep changing, your voice keep changing, your name keep changing while I keep trying to hold myself to some kind of image of you to try to stand there, even knowing that’s not possible. At least not anymore.
Your ghost keep hunting me. Always around, never far, with it’s chain noise following me all over the place. Are you ever gonna go? Or come back?
What a teacher!!! For how long am I going to manage to be such a bitch!?! What’s wrong with that anyways? I mean… I had so many people bitching me up since ever, even you!!! So, that’s my pay check to the word.
Cheers!!!

28 novembro 2006

feliz natal!!!

Hoje eu cheguei a alguma conclusão sobre o por que de eu enfeitar a minha casa para o natal... estranho... eu particularmente não gosto de natal mas nos últimos cinco anos eu tenho enfeitado cada vez mais a minha casa com o tema natalino quando dezembro está para começar...
bom , já vai pra seis anos que eu não tenho família com quem passar o natal. É claro que eu valorizo meus amigos tão cuidadosos e carinhosos que me convidam a passar essa data tão tradicionalmente familiar com eles, mas é inegável o embaraço na hora dos presentes... eu cheguei a conclusão de que o valor do presente na noite de natal não está no valor do presente em si mas na reafirmação de que era esperada para a ceia.
Obrigado amigos pela solidariedade!!! (e pelos eventuais presentes...)
Essa história com a minha casa já vai um pouco mais além... acho que tem mais a ver com a necessidade de sentir que esse ano vai ser diferente e que eu vou conseguir sentir o abraço que minha mãe, irmão e meu pai invariavelmente vão me dar por telefone. Mesmo sabendo da impossibilidade disso na distância que estamos.
De qualquer forma, bem vindo seja o “espírito natalino” a mim e a todos, que meus adoráveis amigos sigam cultivando sua solidariedade e me convidem para alguma ceia e que minha família sim consiga sentir não só os abraços mas o amor que eu mando a eles todos os dias e saibam que no natal isso se manifesta espalhando a lembrança deles pela casa em enfeites...

23 novembro 2006

você sabe que é pra você!!!

por que que eu chego em casa numa quarta feira, ou melhor dizendo, quinta e penso em você???
ferormônios? será isso? saco!!! eu naum vejo você já a tanto tempo .... quanto de ferormônio uma pessoa comum pode exalar pra deixar um outro ser humano tão inebriado??? feromômonio e seus efeitos pode durar tanto??? ou se mistura a outras coisas??? nesse caso específico pode se misturar a admiração.... soma, somatização.... é uma coisa super válida.... é!!! essa mesmo... aquela trabalhada na somaterapia...
como é q alguém admira alguem q conhece tão pouco??? como é q alguem pode sentir o outro??? ilusão? ilusão de impressão ou desejo que fantasia??
poderia ser por um valor de caráter... de gente que tem "aquilo" sem esforço.... aquele tipo de carisma que enaltece sem fazer nada....
mais ou menos como quando vc vê um gato passando.... e acha lindo!!! e impressionantemente sexy... não que ele carregue aquela graciosidade de movimentos ou aquela sensualidade ou trejeitos que vc sabe que se colocar sua mão vão ser extremamente deleitosos pra você - e quiça para ele - senão pelo fato de que é inevitável ao gato, inerente ao bichano...
tem gente que tem essa feromornidade, ou chame-se como seja, impressa numa atmosfera que rodea... você tem isso e eu acho q vc sabe que eu tou escrevendo pra você!!! e eu acho que você sabe que você é a única pessoa que eu penso quando chego em casa à essa hora numa quarta, quinta feira....
que a admiração pelo valor que eu reconheço que você tem e sempre teve e segue construindo sempre, pra amplia-lo ainda mais é imensamente louvável pra mim... que você apesar de ter sido tão machucado pela vida e pelos caminho que escolheu, seguir... uma lástima pelo que soube...
quiça te tiraram a doçura mas não te tiraram a beleza.... sim aquela dos gregos, a do justo.... e te talharam na alma esse sarcasmo agrio dos vales resequidos e essa ambiguidade coloquial de quem não decide entre duas tetas... pelo menos textualmente "hacia" mim, enrriquecido das notas dos mais profundos humores, cingidos nas mais belas e brilhantes cores... as fantasias que você me desperta.... você não faz nem idéia...
te amo? não, nem te conheço.... mas, te devoto o poder de dizer muito a minha alma com seus efemeros suspiros e sua orelha bem feita que tanto de insinua ao meu olhar.

12 novembro 2006

Um bilhão de horas atrás, surgiu vida humana na Terra.
Um bilhão de minutos atrás, o Cristianismo emergiu.
Um bilhão de Coca-colas atrás era ontem de manhã...
Pequena lista de compras de supermercado de um americano aprendiz da lingua portuguesa:
Pay she
Mac car on
My one easy
Paul me to
All face
Car need boy (mail kilo)
Spa get
As pas goes
Key jow (parm zoon)
Cow view floor
Pier men tom
Better hab
Lee moon
All me roon
Beer in gel
Three go
Puts grill low! Is key see, too much.

Rssss.... abri meu e-mail hj e tinha um e-mail dos mais absurdos possiveis, já nem esperava mais esse tipo de coisa...
Segue seu caminho e se cuida.

Maria Dolores Pradera

toda una vida,
estaría contigo,
no me importa en que forma,
ni cuando ni donde,
pero junto a ti...
toda una vida vida,
te estaría mimando,
te estarí cuidando,
como cuido a mi vida
que la cuido por ti,
no me cansaría de decirte siempre, pero siempre siempre.
que eres en mi vida la ansiedad la angustia e desesperación.

16 agosto 2006

respeito é bom e eu gosto!!!

É incrível como algumas das tantas pessoas que habitam nosso mundo são tão confusas... se complicando em coisas que poderiam ser tão simples e pior, muitas vezes por causa delas fazendo mal a outras.
Somos, enquanto seres humanos, movidos pelo desejo em todo e qualquer aspecto que se queira considerar e há que se prezar isso acima de tudo, até mesmo por ser a única maneira de nos fazermos felizes.
Eu sou uma pessoa que acredita no direito de liberdade de cada um, direito esse que diz que podemos SIM fazer tudo o que ESCOLHEMOS, mas no que diz respeito ao outro e a atos que envolvam suas vidas, ações e decisões, temos, para dizer o mínimo, a obrigação de respeitar seu direito de escolha, que muitas vezes pode até calhar de ser o mesmo que o nosso, ou não, isso só descobrimos perguntando.
Que pena que algumas pessoas se esqueçam do princípio do RESPEITO.
Manipular situações, não informando o outro com clareza das situações em que os estamos envolvendo é ERRADO, injusto e covarde e me entristece que isso cada dia mais esteja se tornando uma coisa culturalmente incorporada e tão socialmente aceita.
Por outro lado acredito que aprendemos com cada passo que damos e desejo sinceramente que cada experiência em que tivermos a oportunidade de ver que com nossos atos, machucamos, ferimos ou magoamos uma outra pessoa vejamos mais claramente o tamanho de nossas responsabilidades no mundo e a importância de se cultivar o cuidado pelo outro. Afinal ainda somos pessoas de boa índole, com caráter, que sabem que o outro nada mais é do que um outro ser humano com seus próprios anseios, sonhos e desejos de ser feliz TANTO QUANTO NÓS MESMOS.
Tem horas em que se tem não só que desabafar mas também compartilhar com os amigos os aprendizados que conquistamos.

15 agosto 2006

Expectativa

Momento sarau do Borges da Costa pra quem ainda lembra disso!!!

E nos lançamos no vazio das expectativas... Mas talvez seja essa a única maneira de viver com a liberdade e a leviandade necessárias para se provar o mundo que se apresenta pra nós. Encontrar alguém, se permitir desfrutar o outro ou quiçá só o momento já é de uma ousadia e de uma coragem admirável.
Não tem de fato muito que se possa dizer da necessidade de atender aos próprios desejos quando ela é nossa necessidade mais basal no sentido de assumirmos nossa responsabilidade única de fazer felizes a nos mesmos. Sim. Por que por maior que seja a tentação de entregar essa responsabilidade ao mundo ou ao outro a única solução efetiva parece ser nos apropriarmos dela e assumir nossa função de protagonistas do processo.

05 abril 2006

Interatividade

Muito embora se trate de um fenômeno ainda novo, já está muito absorvido no nosso dia a dia esse convívio em ambientes virtuais que, com as novas tecnologias, torna-se cada vez mais interativo. Os veículos de comunicação mediada têm lançado mão de recursos técnicos que abrem cada vez mais o espectro de possibilidades nesse sentido, aumentando e modificando estruturalmente as formas de interação social, ocasionando novas formas de relação e até mesmo criando novos paradigmas para elas. É importante nesse ponto esclarecer que a interatividade é o que possibilita ao indivíduo afetar e ser afetado por outro numa comunicação que se desenvolve num sistema de mão dupla que vamos analisar dentro da grande rede mundial de computadores, a internet. Trataremos desse assunto, a seguir, tomando como base de análise o consumo nos ambientes virtuais interativos através das relações do sujeito com as marcas, que acontecem sob certos aspectos de forma diferenciada dos espaços físicos.

Nesse não-espaço da internet as interações, desprezando-se por um momento o e-comerce, se caracterizam principalmente por um consumo de bens simbólicos. Não há relação palpável, mesmo com objetos ofertados, uma vez que se trata não do objeto em si mas de sua representação, imaginética ou informativa, ou de conteúdos interpretativos de dados e fatos. Embora alguns sites pratiquem a modalidade de oferecer conteúdos exclusivos apenas para assinantes a disponibilidade de informações ainda é bastante livre, o que acaba por configurar um espaço bem mais democrático que os ambientes físicos e por romper com velhas estruturas de poder ainda muito arraigadas no pensamento contemporâneo. O poder simbólico que os indivíduos experimentam aí, portanto, é muito mais nivelado. Como via de regra num contexto de consumo o indivíduo pode se inserir ou excluir de determinados grupos dependendo da possibilidade de exercer ou não esse poder e assim sendo o consumo adquire um interessante papel, truncando e confundindo a própria noção de cidadania.

Comparemos empresas/marcas que abrem lojas em espaços físicos e na internet, por exemplo. No primeiro caso, dentre outros, há fatores elementais que caracterizam e definem o valor agregado dos produtos e serviços oferecidos ali que estão diretamente ligados com o investimento financeiro empregado em sua montagem, além do bom senso estético, funcionando como diferenciadores de uma marca para outra, enquanto na internet esses fatores e elementos, em virtude dos investimentos serem basicamente os mesmos, se diferenciam, de página para página, fundamentalmente por esse fator estético e, na maioria dos casos, do nível cultural do indivíduo(s) produtor(es) do conteúdo oferecido, ou seja, por um investimento intelectual. Dessa forma, pode-se dizer que no espaço físico essa noção se fundamenta principalmente nas relações econômicas e é mais clara, embora em ambos os casos tenha muito a ver com os fatores estéticos da apresentação das formas.

A necessidade de consolidação das marcas, no entanto, é uma questão contígua em ambos os casos, uma vez que por si só é sinônimo de valor agregado para os bens disponibilizados, ainda que as vantagens sejam específicas e variem para cada ambiente. Nos ambientes físicos é um importante diferencial de mercado e muitas vezes funciona como um desses novos paradigmas das relações sociais que citamos antes, por causa da forma como essa sociedade de consumo - da maneira que a estamos vivenciando hoje - nichifica as interações tomando como principal elemento antropológico de identificação o acesso a essa ou aquela marca. Sendo que esse acesso se relaciona diretamente com o poder econômico do sujeito. Já num âmbito virtual, os acessos são mais ou menos irrestritos e essa consolidação acaba por ter muito mais a ver com a fixação da marca na lembrança do usuário, garantindo a frequência e credibilidade do site. Até mesmo por que aí o acesso se dá a bens simbólicos, não mensuráveis do ponto de vista de custos financeiros de produção das formas.

Com base nessas considerações, estudos tem concluído um outro ponto a se analisar que é um novo tipo de fidelidade bastante característico dos espaços virtuais. Muito embora o fluxo seja infinitamente mais desterritorializado e livre que nos ambientes físicos, os usuários regulares de internet demonstram ter uma forte tendência a criação de rotinas e ainda que a navegação link a link os levem a circular por uma teia vasta e ilimitada esse não é tipo mais comum de navegação. Aparentemente, por mais que busquem bens ou formas disponibilizados em páginas menos consagradas o acesso a elas se dá através, quase invariavelmente, a partir do site de busca ou outras páginas com o qual o sujeito tem maior familiaridade. Movimento não muito diferente do que se observa no universo físico onde o indivíduo configura hábitos de consumo mais ou menos padronizados, principalmente quando se observa a segmentação do comércio em classes sócio-econômicas.

Todos esses aspectos tratam então de justificar, de certa forma, os investimentos maciços em publicidade feitos pelas marcas, uma vez que sua fixação e consagração se tornaram tão importantes para sua própria existência. Pode–se observar no contexto do trabalho com sua divulgação uma mudança de enfoque das mesmas, que antes eram apenas um indicativo da procedência ou propriedade dos produtos e que hoje seguem uma tendência ao que se poderia chamar “humanização das marcas”, como um novo estilo de sedução e envolvimento do consumidor através do qual os aspectos conceituais subjetivos ligados às atitudes e comportamentos a que elas se associam tornarem-se mais valoráveis até que a própria qualidade técnica dos bens e formas por eles produzidos. O que vem de encontro dessa nova conjuntura interacional onde cresce a disponibilidade de ofertas de bens e o indivíduo tem sua atuação e possibilidade de intervenção também cada vez mais dilatada, afinal essa empatia com as marcas não poderia se dar desconsiderando-se os fatores emocionais dessa relação seja num âmbito físico ou virtual.

03 abril 2006

Nós que aqui estamos por vós esperamos

Meu ponto de partida na análise desse filme foi o título da obra uma inscrição na entrada de um antigo cemitério, da qual o autor se apropria e que exerce sobre nós um interessante efeito. Ela nos desperta e instiga uma investigação em um universo profundo, esquecido em nós mesmos. A partir dai ele começa a nos descortinar o tema de uma forma quase onírica, construindo uma narrativa histórica que ilustra e contextualiza o que foi o séc XX através da apresentação de fragmentos de imagens de fatos, que muito embora a alguns deles hajamos presenciado, parecem mais um retrato desbotado de algum desconhecido.

É interessante destacar que ele utiliza, em sua grande maioria imagens de algumas dezenas de anônimos, registradas em sua maioria por outros cineastas igualmente anônimos, quando não acidentais, nos desafiando a reconstruir nosso próprio conceito de História, no sentido de que talvez a verdadeira História da sociedade seja feita, não só pelos grandes montantes que se apresentam nas estatísticas, ou nos incríveis personagens produzidos um após outro para legitimar cada momento e cada movimento das ideologias dominantes, mas sim por cada um de nós. E é que por isso moldável a nossos desejos, interesses e atitudes nos lembrando de nossa carga de responsabilidade em seu curso.

A forma como ele vai desfiando as seqüências de imagens nos defronta diretamente com o esvaziamento que nos trouxe até esse hoje individualista oco e com a necessidade de nos reconectarmos com nossa humanidade, colocando em cheque a questão da banalização da dor, do sofrimento, da morte e portanto da vida na qual estamos mergulhados. Ainda outro dia eu ri abismada com a verdade da afirmação “conseguiram matar a morte.” 1 a frase impactante que ouvi numa conversava sobre o fotojornalismo popular. Falávamos da perda dos ritos de passagem que envolvem a morte e como essa abordagem dos jornais de noticias populares são descomprometidas com a questão da ética. E a meu ver esse afastamento do homem da dimensão do “sacro”2 nos tirou algo de caro à nossa essência humana ao ponto de passarmos por nosso cotidiano de pequenas histórias com o olhar indiferente o suficiente para não as notamos.

Outro ponto que observei foi a questão da função social desses “anônimos” identificados por seus nomes e atividade produtiva que se exerciam informação que os situava em relação às importantes das relações de poder que entrelaçam a História dos grandes homens e acontecimentos a seus enredos quase sempre definindo seu desfecho.

O grande mérito desse filme para mim foi ter logrado de forma muito direta propor esse despertar para um olhar crítico sobre o passado e o futuro da sociedade através da conscientização do presente na dimensão do real palpável e acessível, nos lembrando que somos indivíduos mas que fazemos parte afetando e sendo afetados pela História de toda a sociedade. E quem sabe nos despertar para o fato de que nesse enfoque da construção da História o século XXI seremos nós.

30 março 2006

O retrato da familia

Valença, 3 de outubro de 1897.


Meu adorado filho Bentinho,


Estavam todos diante de mim. Eu já sabia do peso da minha própria responsabilidade naquele momento. O pai estava à direita da velha senhora. Cabelos negros muito bem alinhados, o paletó de festa todo abotoado, revelando apenas o impecável branco do colarinho e a gravata de um vermelho escarlate, presa pelo elegante pino de ouro com o brasão da família. Ele tinha o braço estendido e parecia sustentar com toda sua força a velha senhora sentada na elegante cadeira estilo chippendale logo abaixo. Sua expressão grave só se notava ao ver-lhe os olhos, sem brilho, quase inertes. Num ângulo tal que, embora de uma posição muito mais elevada que ela e mais atrás, a mantinha no canto do campo de visão. Fitava-a como se lhe contasse cada respiração a espreita de algo.


As crianças e algumas já nem tanto o eram, se acomodaram a seu redor. O mais velho, um rapaz que julguei perto dos trinta, a esse não lhe poderiam dizer bastardo jamais tamanha semelhança como pai, embora nos detalhes se lhe notassem as diferenças. As longas madeixas igualmente negras, presas por uma fita verde escuro muito bem escolhida para fazer jogo com o casaco, estavam impecavelmente arranjadas de forma que as ondulações não lhe cobriam sequer uma expressão da face alva e bem desenhada. Tinha uma expressão leve, típica dos jovens, embora se lhe notasse a tristeza do olhar. Estava de pé ao lado direito do velho homem e talvez a postura, o traje ou a posição que tomara seu pai para tocar a senhora lhe fazia enorme, como um colosso segurando com esse frescor jovial as emoções dos presentes.

A irmã sentada ao lado da mãe parecia destoada na cena. Era uma jovem a quem se aproximava a idade de casar-se. Isso se lhe via pelos rubores, no quanto se movia para chamar-me a atenção e nos faróis que se ascendiam de seus olhos cada vez que eu mesmo correspondia-lhe os olhares ou me dirigia a ela para dar instruções sobre sua posição. Estava metida num longo vestido de cetim da cor da mais madura das pérolas birmanesas de não menos de seis anáguas, muito ajustado na cintura, chamando a atenção para as curvas do tronco que davam em ancas que eu minuciosamente contornava com o olhar. Tinha o colo à mostra num profundo decote bem embainhado por um espartilho muito apertado e adornado por um colar de ouro cravejado de topázios quase no mesmo tom do vestido. Era bonita a pobre, embora a frivolidade dos gestos diante da gravidade da cena a esmorecesse as feições. Parecia não perceber a situação em que estava inserida e que não lhe interessava nada além de suas próprias preocupações fúteis com fitas, arranjos, carmins e moços. Mas ainda assim posava ali na mesma poltrona segurava-lhe a mão como num gesto de consideração que eu por experiência sabia ser, para ela, meramente estético.

O caçula estava incontrolável hoje e talvez pela ansiedade do momento de um registro tão bizarro pareceu-me estar todavia pior. Eu não os conhecia tão bem assim, aos Cota, mas já os havia visto em outras situações sociais, festas, casamentos e funerais que costumo freqüentar por meu ofício e ele jamais se mostrara tão irrequieto. Corria de uma lado para o outro carregando um pato que me pareceu ser uma espécie de mascote por causa de uma fita de tecido dourado muito delicada que lhe enfeitava o pescoço num laço. Trombava em tudo e cantava a plenos pulmões todas as canções que provavelmente a ama cantava para ele em dias de festa. Eu mesmo cheguei a assustar-me uma vez quando a pequena besta veio em minha direção com tanto afã que quase me atira todo o equipamento ao chão. Mas depois do incidente, sob ordem do pai que, prevendo o prejuízo de ter que pagar não só pela foto mas por todo um equipamento de fotografia, o fez sentar no chão com o pato no colo aos pés da mãe.

Ela parecia uma verdadeira aparição sentada ali tão altiva e elegante. Pareceu-me que sua pele alva se empalidecia, em contraste com o veludo verde profundo do estofado. O espaldar alto lhe fazia fundo ao rosto já não tão jovem, mas ainda bonito. Tinha os cabelos presos num coque no alto da cabeça donde pendiam uns poucos cachos que lhe faziam moldura às feições. Já havia ouvido falar de seu mal, mas olhando-a ali sentada entre os entes mais queridos não me pareceu doente. A boca bem vermelha e úmida, os olhos cintilantes indicavam uma espécie de felicidade plácida e serena.

A tarde se aprofundava levando consigo seus brilhos e deixando não mais que o espaço perfeito para os laranjas e púrpuras do crepúsculo. Todos então se posicionaram melhor. Rostos imóveis, olhares fixados na lente no aguardo do segundo eternizado.

Eu já preparado. Cabeça metida sob a batina da máquina agarrava a chapa com toda a força para não tremer enquanto levantava o estopim do flash com o outro braço.

Como comprova o regalo que agora te despacho, a foto foi feita provavelmente sobre o último suspiro de sua avó ainda viva.

Naquele momento, quando me desvencilhei das mantas, tudo o que vi foi a expressão de pavor de sua mãe, como se a foto lhe houvesse congelado mais que apenas a imagem. Ela alternava o olhar entre a mãe, que agora se percebia morta e eu, como que me pedisse ajuda sem saber como. Já não se via por sua face sequer um traço da frivolidade de outrora, apenas a triste beleza de seu rosto bem feito mergulhado em desolação.

Seu pai foi o próximo a notar, talvez por sentir o peso, agora pendente, do corpo sob sua mão estendida ou talvez pela própria emanação de energias da filha aterrorizada.

O mais velho não foi capaz de mais do que pousar suavemente a mão sobre o ombro do velho senhor pesaroso, enquanto o caçula admirava tudo, abraçado a seu pato, sem poder entender as mil sutilezas das emoções que se sucediam na cena como poderosas lufadas de ventos marinhos contra gigantescas falésias que lentamente ruíam.

Me aproximei da jovem moça e conquanto pude desvencilhá-la da pesada mão da defunta, atirou-se em meus braços aos prantos.

Assim foi, meu adorado filho, e por isso te envio a foto de sua mãe com seus tios, avô e avó que perdemos naquela mesma fatídica tarde em que conheci sua mãe, para que guarde como recordo de seus ancestrais e de tão importante momento pra nossa família.


Com todo meu amor

Seu pai Joaquim Diógenes de Medeiros

Cidadania feminina

1970, Estados Unidos , uma importante retomada do movimento feminista leva às ruas centenas de mulheres em luta por melhores oportunidades e condições de vida. Embuídas do espírito desse movimento que já dava sinais desde antes mesmo do séc XIX, essas mulheres lançavam um olhar, naquele momento talvez até um pouco radical, sobre a posição que ocupavam naquela sociedade patriarcal e machista que até não muito tempo atrás sequer as considerava como cidadãs. De lá pra cá, muita coisas mudou, muita coisa aconteceu, mas será mesmo que o desejo daquelas mulheres se concretizou?

A própria questão da cidadania da mulher que só foi outorgada na Inglaterra em 1928, elevando-as legalmente a um patamar de igualdade de direitos com os homens, uma vez que já exerciam todas as obrigações, foi em outros paises ainda mais tardio e sem efeito concreto, até algumas décadas mais tarde, em seu cotidiano.

De fato, por mais meritoso que pudesse ser, dizer-se que essa foi uma conquista dessas mulheres, seria mesmo uma inverdade. Já que algo tão caro ao movimento feminista foi logrado por interesses políticos de partidos que visavam o apoio de mais eleitores. E o conseguiram dando-lhes o espaço e a projeção de que precisavam para lutar por seu direitos, inclusive o do voto. Daí se conclui que a estrutura social na qual estamos inseridos, em si mesma, embora haja amadurecido ao longo desses anos, ainda não conseguiu uma mudança significativa. Qualquer mulher terceiro mundista ainda hoje reconhece que a maioria desses direitos não pode ser ainda chamado conquista.

Desde a antiguidade a visão da sociedade sobre a mulher as situava num contexto de cuidados domésticos e procriação sendo essas as únicas funções possíveis, o que culturalmente as relegou a uma categoria de produto fornecedor de satisfação para os desejos e necessidades do homem. As representações estéticas da mulher esteviveram sempre associadas à tentação e isso fica muito claro na forma de sua exploração no mundo ocidental, sobretudo nos meios de comunicação, que são claros reflexos dessa visão arraigada da mulher.

A maioria ainda entende que a busca da mulher por poder externo, aparentemente em oposição à força interna, criou um vácuo na educação moral e na ética com a qual nossas crianças, e portanto o futuro da sociedade, são criadas, e mesmo as mais atuantes feministas admitem que há grandes equívocos nesse sentido, uma vez que parte das mulheres, no afã da luta, renegaram radicalmente o feminino nesse processo, enquanto outras, não menos equivocadas, abraçaram mais funções e tarefas do que podiam, assinalando, em ambos os casos, com a perspectiva da destruição dos papéis tradicionais dos gêneros.

Hoje as mulheres conquistaram uma posição significativamente mais relevante na sociedade e muito se construiu no tocante á seus direitos, liberdades, possibilidades, importância na política, economia, família e segurança e é de suma importância que se comemore cada uma delas, mas é igualmente importante que se compreenda que todas essas conquistas ainda estão anos luz aquém do próprio significado do termo “ideal de igualdade”, não só por serem subjugadas por homens, mas realmente pela perpetuação de conceitos ensinados e reforçados por tanto tempo que as próprias mulheres atuam como algozes de si mesmas.

2006, Brasil, um retrocesso na luta pelo reconhecimento da mulher cidadã leva as telas da televisão e as páginas de revistas centenas de mulheres vestindo trajes sumários para reforçar a cultura da mulher bibelô que enfeita e desperta a lascívia de uma sociedade que se diverte descompromissada com as implicações que esse tipo de conduta acarreta.

29 março 2006

Surtossss!!!


Quando eu fiz as minhas considerações iniciais eu já tinha mencionado a eventual possibilidade de eu acabar registrando aqui os meu surtos. Na verdade eu não podia imaginar que isso fosse acontecer tão cedo, mas acho que é um traço da minha personalidade que está fugindo ao meu controle (óbvio, afinal, é um surto!!!)

Eu admito hoje aconteceu de manifestar todos esses sintomas juntos, ao mesmo tempo, muito forte, e muitas vezes!!! (quem dera fosse outra sintoma que também anda me tomando com relativa frequencia...rsss...). Foi um dia que começou normal à exceção de um fato raro, provocado por mim mesma. EU TOMEI UMA XÍCARA DE CAFÉ PELA MANHÃ. De fato parece uma coisa sem a menor relevância até para mim não fosse pelo efeito que o café tem no meu organismo. Eu enlouqueço. Literalmente.

Então eu comecei meu belo dia com um bom dia à minha gatinha linda, a Zilla, levantei da cama tomei um café e fui pra vida...

Surto nº1: Com a descoberta infeliz de estar sendo feita de troxa por uma figura que fez um trabalho comigo e está tentando tirar dinheiro de mim como se fosse cabível.

Surto nº2: Com a faxineira do meu prédio que veio pela qüinquagénésima vez interromper meu trabalho pra me pedir um cigarro.

Surto nº3: Até meu professor, que eu adoro, me chamou de louca, numa apresentação de trabalho na frente de todo mundo, por causa de uma analogia, super razoável, que fiz de uma tipografia que tem origem na escrita egipcia antiga usada num CD de “eletro punk” com as referências históricas do momento do surgimento do movimento punk !!!


Surto nº4: O ex dono do meu novo apartamento que se embananou de grana e quer adiantar o pagamento de uma das parcelas do negócio.

Surto nº5: Não bastasse tudo isso, no mesmo dia, eu leio muito tardiamente no meu horóscopo a adorável mensagem que eu hoje teria dificuldades que iam me fazer uma pessoa muito feliz!!!


Na verdade eu ainda não tive condições de fazer nada a respeito de nenhum deles, mas eu estou absolutamente aberta a sugestões de como faze-lo, por que as minhas últimas gotas de energia eu gastei tentando me conter e não esganar nem um dos envolvidos nem a arrancar meus próprios cabelos. E se você também está passando por essa fase levemente psicótica e quizer compartilhar eu tenho excelentes projetos de novas formas de tortura e experiências de multilação humana precisando de indicações de cobais...rsss...

Gente, cá pra nós, isso ultrapassa o limite do razoável até pra mim que não sou nem um pouco razoável!!! Haja meditação!!!! Aaahhhhuuummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm



A alcunha

Bom, a coisa do nome tem a ver com minha nova obsessão. PESQUISA. Adoro!!! Só que como atual estudante de comunicação social eu ando lendo muitos pensadores de sociologia, filosofia, artistas, comunicólogos, historiadores, designers em geral, trabalhos de outros pesquisadores e tal... e acho muito interessante que nesse meio todo mundo tem que ser alguma coisa.

Eu passei por uma fase, até relativamente longa de experimentação disso de ser alguma coisa, mais forte na adolescencia, e tal, enveredei por vários diferentes desses ismos aí, relativismo, budismo,esquerdismo, existencialismo, socialismo, direitismo, emtre outros... mas o que mais me chamou atenção quando eu parei pra pensar foi que desde que se começou a falar do pós modernismo, todo mundo de repente ficou pós alguma coisa. Alguns até mudaram, mas a maioria ficou pós o que já era mesmo e a verdade é que eu também agora quero ser pós!!! Só que como já faz um tempão que eu não sou nada pra passar a ser pós o que eu era antes o máximo que eu posso fazer é admitir que eu já tive em tanta situação derrota, que agora que graças a Deus passou e eu estou feliz da vida, a minha agora é a PÓS DERROTA!!!

28 março 2006

Sejamos bem vindos!!!

Considerando-se que minha primeira palavra escrita num blog seja essa é melhor tratarmos de algumas considerações iniciais... esse fim de semana o Fred esteve aqui em casa e recomendou dar uma olhada no fotolog dele, coisa que eu ainda nem fiz... mas eu não fiz por uma razão muito específica.

Essa coisa de blog é muito nova pra mim... mas muito nova... mais nova do que se possa supor de alguém que já se conformou com a própria condição de internauta a alguns anos (mas nem tantos assim!!!). Eu jamais li um qualquer coisa num blog na vida, nunca nem tropecei num desses pelas minha naveganças por aí. Aliás, eu vivia ouvindo um ou outro amigo falar, mas eu só fui ligar o nome à pessoa tempos depois, quando a tal da surfistinha lá, foi no Jô num dos meus fatídicos afogamentos noturnos nas revoltas correntezas de conhecimento de nababescas pilhas de alfarrabios (pra relembrar que ainda funciono em módulo analógico...) que eu adoro escarafunchar vendo tv, eu particularmente não ligo e de mais a mais pornografia vai ser sempre campeã de audiência na internet e olha que eu conheço um monte de gente que reclama pra caramba das putas, mas nem assim eu tive a curiosidade de averiguar.

Hoje curiosamente sem nenhuma razão específica e nenhuma relação aparente, com a feliz visita ( rssss....) eu resolvi dar uma fuçada e até li umas coisa bem interessantes, tão interessantes que eu resolvi cavar meu próprio espaço no mundo virtual e divulgar pra vocês pobres cobaias, digo, queridos amigos minhas teorias, neuroses, eventuais pirações e surtos em geral.

Isso posto, eu acho apropriado sujerir que não se espere muito disso, e isso eu digo pra mim mesma, por que a megalomania da leonina é uma tortura constante e quem me conhece (óbviamente os únicos a visitar isso aqui, e isso mesmo, se for muito amigos...rss...) já está cansado de saber o que esperar de algo produzido por mim...

Deixo vocês, por enquanto, com um pequeno preview do que pode acontecer agora que eu tenho, segundo meu adorável "grande mestre touro sentado", um espaço para exercer uma relação de poder e legitimar minhas próprias ideologias, enviado à mim sabe-se lá por quem num desses adoráveis e-mails reenviados de 7.415 pessoas, sempre recheados com pérolas de mil novecentos e guaraná de rolha, mas que continuam me fazendo rir. À você que enviou esse então, meu muito obrigado! e vamos lá:

The New York Times: O MUNDO VAI ACABAR
Obsservatore Romano: MUNDO ACABA OUTRA VEZ
O Globo: GOVERNO ANUNCIA O FIM DO MUNDO
Jornal do Brasil: FIM DO MUNDO ESPALHA TERROR NA ZONA SUL
Folha de São Paulo(ao lado de um imenso gráfico): SAIBA COMO VAI SER O FIM DO MUNDO
O Estado de São Paulo: CUT E PT ENVOLVIDOS NO FIM DO MUNDO
Notícias Populares: PSICOPATA MATA A MÃE, DEGOLA O PAI, ESTUPRA A IRMÃ E FUZILA O IRMÃO AO SABER QUE O MUNDO VAI ACABAR!
Tribuna de Alagoas: DELEGADO AFIRMA QUE O FIM DO MUNDO SERÁ CRIME PASSIONAL
Estado de Minas: SERÁ QUE O MUNDO ACABA MESMO?
Jornal do Comércio: JUROS FINALMENTE CAEM
Jornal dos Sports: NEM O FIM DO MUNDO SEGURA A SELEÇÃO
Correio Brasiliense: CONGRESSO VOTA CONSTITUCIONALIDADE DO FIM DO MUNDO
Gazeta Mercantil: DECRETADA A FALÊNCIA DO MUNDO
Jornal da Tarde: FIM DO MUNDO. E DAÍ?
Gazeta Esportiva: CRUZEIRO DESFALCADO PARA O FIM DO MUNDO
Folha Universal (do Bispo Edir Macedo): PAGUE O DÍZIMO ANTES DE PARTIR
Veja: EXCLUSIVO! ENTREVISTA COM DEUS_ Por que o apocalipse demorou tanto?- Espedialistas indicam como encarar o fim do mundo- Paulo Coelho: "O profeta viu o fim do mundo e chorou"
Nova: O MELHOR DO SEXO NO FIM DO MUNDO
Caras: O FIM DO MUNDO DOS CHIQUES E FAMOSOS
Playboy: NOVA LOIRA DO TCHAN: UM APOCALIPSE DE SENSUALIDADE
Info (Exame): 100 DICAS DE COMO APROVEITAR O WINDOWS THE END!
Época: ÁTÉ O FIM DO MUNDO SUA REVISTA "EPOCA" ESTARÁ CUSTANDO R$ 2,80
Guia de Programação: NET EXCLUSIVO: O FIM DO MUNDO NA GNT
Sexy: COMO TRANSAR NO ALÉM
SuperInteressante: DO BIG BANG AO FIM DO MUNDO
Casa Cláudia: COMO DECORAR A SUA CASA PARA O FIM DO MUNDO
Diário Oficial (Campinas): PREFEITO DESAPROPRIA BARRANCO PARA MORRER ENCOSTADO
Diário Oficial da União: PRESIDENTE FAZ A SUA ÚLTIMA VIAGEM
Diário Oficial da Justiça: SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL CONDENA O FIM DO MUNDO
Diário do Congresso: ACABOU A MAMATA