Será que alguma vez o brasileiro teve orgulho de si? Pensando no valor e no lugar que colocamos os nossos visitantes no dia a dia é muito difícil alguém não se perguntar isso. Essa semana jantando com uns amigos me serviram mais que só com o descrito no menu. Na falta de uma sobremesa para adoçar meu paladar o que eu recebi foi uma frase bastante mais amarga mas igualmente digna de um biscoitos da sorte chinês.
Eu não pude ignorar meu novo lugar de namorada de estrangeiro. Esse não é meu primeiro namorado nascido fora do país, então eu não deveria me espantar tanto certo? Talvez. Mas julgar alguém amigo, nesse caso, se provou perigosamente precipitado. Talvez seja o caso de usar melhor essa palavra, talvez seja só uma questão de distorção cultural. O fato foi que eu cheguei lá com o meu namorado; que a anfitriã, minha “amiga”, tinha visto só uma vez antes disso - pra no auge da noite ser elogiada com os seguintes dizeres: “Você é uma boa pessoa, você merece ele.”
Hum??? eu tentei por horas traduzir ou decifrar essa frase, até me dar conta de que talvez a vastidão de significados truncados e horrendos por traz dela seja a prova da existência de uma verdade maior tão visceral a nossa cultura que é impossível alcançar seu total significado.
Ou é mesmo hora de se render à corrente dos sociólogos que nos lembram sempre que nós nunca deixamos de ser colônia de alguma forma, economicamente ou culturalmente e que por isso nós brasileiros vamos sempre achar o estrangeiro superior em algum sentido ou essa “amiga” realmente acha que qualquer um que ela acaba de conhecer é melhor que eu. O que não faria muito sentido com o resto dos elogios que eu recebi ao longo da noite - a maioria, sim, do balcão da sobremesa.
De qualquer forma, ambos os casos são tristes. Um descaso bobo com uma meia dúzia de palavras e um velho preconceito se renova...
:-(
Quem não quer ver o próprio carro feliz, né?
Há 16 anos
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