04 novembro 2008

meu apartamento

"Comprei uma casa para uma vida que eu não tenho."
Um apartamento de três quartos; perfeito para acomodar a família que eu não tenho, quarto de hóspede para todos os meus queridos amigos que nunca me visitaram, cozinha equipada, sala de jantar, aparelho para dez pessoas para quem eu não cozinho.

Com o passar dos anos e tudo o que passamos pela vida, à medida que percebemos que vamos ficando cada vez mais distantes dos nossos sonhos, será que podemos evitar que o extrato da nossa própria história nos deixe a cada rodada um pouco mais amargos? Será que esse amargor é o contraste que balanceia a docura das novas experiências? Será o que nos torna deliciosamente mais interessantes coquetéis ao invés de enjoativos e doces licores curtidos no tempo?

Eu não teria, de novo, nenhuma idade que das que já tive e não desejo não ter vivido um segundo do que me deu cada gota da experiência que levo hoje. É a experiência que nos desenvolve o paladar para degustar a vida. É no aceitar a experiência que se mostra o real benefício de estar preparado.

Quando se planeja uma cidade o grande desafio é dimensionar. Pensar os espaços onde as pessoas vão viver, trabalhar, se divertir, passar. Ruas e avenidas, devem ser planejadas para o transito que terão, por exemplo. Todas as grandes cidades do mundo tem problemas com trânsito e se eu fizer desse dado uma metáfora eu deveria automaticamente me sentir melhor.

Eu devo ter comprado o apartamento para a vida que vou ter.

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