07 julho 2015

Quando eu tinha mais ou menos uns 14-15 anos eu levei um conhecido pra minha casa para tomar banho e comer. Eu conhecia ele a uns dois meses e sempre tinhamos ótimas conversas. Eu sempre gostei muito de ler e ele não tinha muita formação acadêmica mas era muito lido.

Eu morava com minha família e minha mãe voltou do trabalho naquela tarde para encontrar aquele rapaz e eu sentados conversando animadamente. Naquele momento eu não entendi o choque e o rechaço dela. Desde que meu irmão e eu éramos pequenos na minha casa sempre foi comum ter amigos e colegas visitando pra brincar, estudar, conversar, comer... enfim, mesmo conhecidos mais recentes que o meu novo amigo.

Mas tinha uma diferença entre o meu convidado e os outros. Não só meu novo amigo era negro; cabelo muito crespo e pele bem escura mesmo – como ele também era morador de rua.

A essa altura acho bom contar que minha mãe tem pele bem clarinha – chamo ela de minha rosinha por causa do tom rosadinho da pele dela – família descendente de portugueses, filha do meu avô e seus olhinhos muito azuis.  Mas meu pai é negro.

Nunca pensei na minha família como sendo racista, especialmente minha mãe. E até hoje pra mim é muito difícil entender aquele episódio. Lá atrás, depois dela expulsar meu amigo da casa até chegamos a conversar e ela se admitiu racista, mas isso sempre me deixou confusa. E como não deixar?

Sendo casada com um homem negro e mãe de dois filhos bem mestiços, o fato dele ser negro – mas também suas roupas, cheiro, etc – foi o gatilho de uma reação/ aversão tão forte que me chocou. Talvez até mesmo à minha mãe.

Da minha parte, porque em aparência meu pai é negro, mãe branca, meu irmão e eu "médios" e nossos amiguinhos multicoloridos, eu não tinha percebido que cor de pele fizesse alguma diferença até aquela idade. Ainda tão novinha, o episódio já me confrontou com a complexidade do racismo com que lidamos no Brasil. Até onde mesmo esperamos ele emerge: avassalador.

Atualmente moro na Europa e o racismo virou matéria corriqueira na minha visa. Não que no Brasil não fosse, mas outra hora escrevo sobre isso.

06 novembro 2008

Palavra de honra

Desde as lendária cartas de amor que uniram apaixonados ao longo da história até o sexo virtual, na distância, é nas palavras que os relacionamentos se realizam.

Quando tudo o que se apresenta é uma situação para ser lida como se quiser. Quando não há compromisso verbal nenhum que assuma coisa alguma, não haverá, aí, uma dose de levianismo ao lidar com o sentimento do outro?

As queixas constantes de haverem se apaixonado por rapazes que as deixaram, suspensas no ar, sem saber se suas próprias histórias foram fantasiadas ou se foram realmente legitimas são tão comuns que é impossível não se perguntar. Será o silencio na estrada dos relacionamento uma placa de desvio para a história de qualquer dessas mulheres?

Ok, eu concordo que a fala não seja a única forma de comunicação possível e, em relacionamentos, talvez nem seja a mais efetiva. Mas me parece que nos mais claros e honestos é nelas - nas palavras - que os acordos são sagrados.

Na estrada se você quiser mudar de faixa ou mesmo mudar de sentido é obrigatório sinalizar antes. É tudo uma questão de segurança. Todos concordam com certas regras e trafego flui. Alguém burla a norma e acidentes começam a acontecer e pessoas começam a se machucar.

Nos ambientes mais complexos isso também parece se aplicar. No pregão da bolsa, por exemplo, as pessoas gritam suas aquisições e ofertas para todos poderem escutar e decidir o que consideram melhores negócios. Como avaliar, então, o risco de se colocar nosso coração no volátil mercado das emoções sem um contrato assinado, ao menos com seu corretor?

amaysing

I kept the right ones out
And let the wrong ones in
Had an angel of mercy to see me through all my sins
There were times in my life
When I was goin' insane
Tryin' to walk through
The pain
When I lost my grip
And I hit the floor
Yeah,I thought I could leave but couldn't get out the door
I was so sick and tired
Of livin' a lie
I was wishin that I
Would die

[Chorus]
It's Amazing
With the blink of an eye you finally see the light
It's Amazing
When the moment arrives that you know you'll be alright
It's Amazing
And I'm sayin' a prayer for the desperate hearts tonight

That one last shot's a Permanent Vacation
And how high can you fly with broken wings?
Life's a journey not a destination
And I just can't tell just what tomorrow brings

You have to learn to crawl
Before you learn to walk
But I just couldn't listen to all that righteous talk, oh yeah
I was out on the street,
Just tryin' to survive
Scratchin' to stay
Alive
[Chorus]

04 novembro 2008

meu apartamento

"Comprei uma casa para uma vida que eu não tenho."
Um apartamento de três quartos; perfeito para acomodar a família que eu não tenho, quarto de hóspede para todos os meus queridos amigos que nunca me visitaram, cozinha equipada, sala de jantar, aparelho para dez pessoas para quem eu não cozinho.

Com o passar dos anos e tudo o que passamos pela vida, à medida que percebemos que vamos ficando cada vez mais distantes dos nossos sonhos, será que podemos evitar que o extrato da nossa própria história nos deixe a cada rodada um pouco mais amargos? Será que esse amargor é o contraste que balanceia a docura das novas experiências? Será o que nos torna deliciosamente mais interessantes coquetéis ao invés de enjoativos e doces licores curtidos no tempo?

Eu não teria, de novo, nenhuma idade que das que já tive e não desejo não ter vivido um segundo do que me deu cada gota da experiência que levo hoje. É a experiência que nos desenvolve o paladar para degustar a vida. É no aceitar a experiência que se mostra o real benefício de estar preparado.

Quando se planeja uma cidade o grande desafio é dimensionar. Pensar os espaços onde as pessoas vão viver, trabalhar, se divertir, passar. Ruas e avenidas, devem ser planejadas para o transito que terão, por exemplo. Todas as grandes cidades do mundo tem problemas com trânsito e se eu fizer desse dado uma metáfora eu deveria automaticamente me sentir melhor.

Eu devo ter comprado o apartamento para a vida que vou ter.

27 outubro 2008

orgulho de ser brasileiro!

Será que alguma vez o brasileiro teve orgulho de si? Pensando no valor e no lugar que colocamos os nossos visitantes no dia a dia é muito difícil alguém não se perguntar isso. Essa semana jantando com uns amigos me serviram mais que só com o descrito no menu. Na falta de uma sobremesa para adoçar meu paladar o que eu recebi foi uma frase bastante mais amarga mas igualmente digna de um biscoitos da sorte chinês.

Eu não pude ignorar meu novo lugar de namorada de estrangeiro. Esse não é meu primeiro namorado nascido fora do país, então eu não deveria me espantar tanto certo? Talvez. Mas julgar alguém amigo, nesse caso, se provou perigosamente precipitado. Talvez seja o caso de usar melhor essa palavra, talvez seja só uma questão de distorção cultural. O fato foi que eu cheguei lá com o meu namorado; que a anfitriã, minha “amiga”, tinha visto só uma vez antes disso - pra no auge da noite ser elogiada com os seguintes dizeres: “Você é uma boa pessoa, você merece ele.”
Hum??? eu tentei por horas traduzir ou decifrar essa frase, até me dar conta de que talvez a vastidão de significados truncados e horrendos por traz dela seja a prova da existência de uma verdade maior tão visceral a nossa cultura que é impossível alcançar seu total significado.

Ou é mesmo hora de se render à corrente dos sociólogos que nos lembram sempre que nós nunca deixamos de ser colônia de alguma forma, economicamente ou culturalmente e que por isso nós brasileiros vamos sempre achar o estrangeiro superior em algum sentido ou essa “amiga” realmente acha que qualquer um que ela acaba de conhecer é melhor que eu. O que não faria muito sentido com o resto dos elogios que eu recebi ao longo da noite - a maioria, sim, do balcão da sobremesa.
De qualquer forma, ambos os casos são tristes. Um descaso bobo com uma meia dúzia de palavras e um velho preconceito se renova...
:-(

01 abril 2008

a pancadaria 1

sempre que eu começo bloggar, e olha que faz um tempão que eu não faço isso, é a mesma história: eu falo que seja lá o que for que aconteceu é uma anormalidade na minha vida e conto uma historinha muito da safada e sem graça sobre qualquer bobagem q do meu dia a dia, mas recentemente (hoje) eu redescobri uma velha razão que ainda me dá pra eu bloggar gostoso... pois é... uma decisão foi tomada: haja o que houver eu vou fazer um CURTA.
pois é. é uma decisão tomada mesmo. não está em mim. ou não está mais em mim. por que agora está no fato de que eu gravei o meu primeiro depoimento e minha porrada agora vai ultrapassar o limite da minha própria corporeidade e virar símbolo de dor feminina.
vixi... tenho até mais medo de quando vira terminologia elaborada assim do que quando o FDP me bateu mesmo...
pois é... menininha culta e bem apresentada de classe média não apanha de marido. quem apanha de marido é pobre de periferia. e de preferência aquelas que perdem os dentes da frente, assim ninguém assiste, nem em curta cabeção direcionado pra plateia intelectualóide, por que a imagem é incomoda demais...
a coisa é que comecei a ligar para alguns dos meus amigos que trabalham com vídeo pra saber quais deles se interessavam pelo projeto. e olha que eu já tenho um volume significativo de material pronto ein! e adivinha só? surpresa! ninguém quer se envolver. ninguém quer falar disso e eu tive que ouvir que esse tipo de assunto não tem público, que precisaria de uma verba absurda pra ser produzido (ainda que estivesse falando só de gravar depoimentos), que eu não deveria me expor assim ( por que eu achava o meu próprio depoimento válido), e mais uma enorme lista de explicações claras, lógicas e pragmáticas de por que eu não deveria me meter nisso.
sabe de uma coisa? quando eu apanhei do meu marido a relação foi muito simples na verdade, era um punho e o meu rosto, depois virou o meu tronco e o pé dele e, em fim último, embora, claro, hajam havido algumas repetições das séries anteriores, alguns objetos contra algumas vária partes do meu corpo o que acabou incluindo o um tronco de árvore recém cortado contra minha coluna, que afortunadamente não culminou com minha paralisia.
gente louca existe em em cada esquina! ande dois quarteirões no seu bloco sem que haja uma mulher agredida e eu paro de falar!!! talvez eu realmente seja só mais uma chata, mas, por dizer isso eu posso no máximo estar portando a voz de um monte de outras mulheres que estiveram em minha pele.
a maioria delas, tenho certeza, desejando não estar.

18 novembro 2007

Nuvens me cruzam de arribação.
Tenho uma dor de concha extraviada.
Uma dor de pedaços que não voltam.
Eu sou muitas pessoas destroçadas.


Manoel de Barros
Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Esta rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
a minha independência tem algemas.

Manoel de Barros

10 dezembro 2006

You are everywhere!!!!

Your face keep changing, your voice keep changing, your name keep changing while I keep trying to hold myself to some kind of image of you to try to stand there, even knowing that’s not possible. At least not anymore.
Your ghost keep hunting me. Always around, never far, with it’s chain noise following me all over the place. Are you ever gonna go? Or come back?
What a teacher!!! For how long am I going to manage to be such a bitch!?! What’s wrong with that anyways? I mean… I had so many people bitching me up since ever, even you!!! So, that’s my pay check to the word.
Cheers!!!